Nome: Thary Khan
Idade Aparente: 25 anos
Distrito: Exxxtreme Body Labz (Setor: Bimbo Sirenz).
Estética/Subcultura: Quimera-Couture / Siren-Mod.
Quote: Afeardite me fez assim… perfeita!
POR QUE ME VISTO ASSIM? Eu sou uma Quimera e também a mais harmônica extrema do meu setor. Dentro do Siren-Mod me chamam de Thary Khan, um título de nobreza dado à mais extrema e bonita.
Pra mim o corpo e a roupa podem ser fusões: sapatos de salto acoplados nos meus pés ou ganchos presos nos braços conectados a tecidos criam uma silhueta horripilantemente sensual, uma harmonia que
só mentes elevadas entenderiam.
Gosto de roupas provocantes, tecidos que abraçam as curvas e um toque inegavelmente sexy. Vejo meu corpo como um altar de beleza dedicado à Afeardite, e altares não se constroem com coisas ordinárias nem com modéstia e por isso minhas roupas também não deixam de ser cerimoniais.
Tenho um implante subdérmico no centro da testa que não apenas decora, segundo a minha crença, me ajuda a enxergar as intenções reais por trás da névoa.
Para mim, o Siren-Mod vai muito além da sedução alheia. É um ritual de auto-adoração: eu me sinto divinamente bonita e apaixonada pela minha própria forma. Embora sejamos lidas apenas como “Bimbos superficiais”, no meu setor a estética é a nossa maior oração. Somos seres extremamente espiritualizados, e isso se reflete em cada centímetro da nossa pele modificada.
UM DIA NA MINHA (NÃO) VIDA:
Comecei o dia com o som delicioso da minha resina estalando. Estava na minha prática matinal de Ioga um ritual de dor controlada que mantém minhas peças soltas e minha mente blindada. Tenho uma pira com a tolerância à dor; preciso ser inquebrável para o que pretendo fazer.
Liguei para a Porscha e pedi que ela me ajudasse a chegar até uma fábrica antiga de peças de reposição, perto da zona proibida. Estava louca por um par de braços de cristal de uma coleção raríssima do estilista Alezander Marfim. Eu já estive lá uma vez e, com o decote e o flerte certo, não há um homem em New Tibene que não abra o portão para uma Siren
Até hoje toda vez que aquele guarda cruza comigo, ele pergunta como pode me servir, mas pra isso já tenho gados demais…
A segurança de hoje era um ‘leão de chácara’ daquelas. Porscha tem a lábia necessária para convencer até uma gárgula que ela é feita de cristal e não de pedra.
No caminho, avistamos o perigo. Lena Morgue-Anne estava lá, suspirando contra uma coluna, parecendo uma estátua de sofrimento pronta para alugar o ouvido da primeira pessoa que passasse com seu recital sobre suas tragédias.
— ‘Meu Deus, rápido irmã, atravessa a rua pra Pena Morgue-anne não ver a gente!’ — cutuquei Porscha com rapidez.
Ela se acha icônica, mas para mim é só alguém que parou no tempo. Eu tenho um mundo para salvar (e para seduzir), não tenho tempo para o recital de 2008 dela.
“Chegamos ao portão da fábrica e a segurança, uma boneca com a cara de quem foi montada do avesso, cruzou os braços na frente da entrada. Porscha me olhou de soslaio, ajustou os óculos de aro dourado e sussurrou:
— ‘Não se preocupa, Princess. Eu vou dar um jeito.’
Ela caminhou até a guarita com a elegância de quem está prestes a receber um prêmio, tirou um pó compacto de altíssima qualidade da bolsa, um Anastasy Boo’verlly Hillz, o auge do luxo, e olhou para a guarda com um ar de pura ‘compaixão’.
— ‘Oi, minha diva, escuta aqui… — Ela disse numa voz tão forçadamente doce que mais parecia um pernilongo— um rosto tão lindo não deveria estar tão manchado e desbotado. Deixa eu te ajudar com esse tom de pele de quem está em decomposição espiritual?’
Ela aproximou o pó como alguém que aproxima um diamante enorme.
A guarda, em vez de agradecer (ingrata!), ficou possuída. Ela ameaçou sair da guarita para peitar a gente, bufando névoa pelo nariz. Porscha apenas deu um meio sorriso de lado, fechou um dos olhos e disse:
— ‘Bem, você não me dá outra opção então…’
Num movimento rápido, ela abriu o estojo, encheu os pulmões e SOPROU uma nuvem generosa de pó finíssimo na cara dela. Foi instantâneo. A guarda nem teve tempo de gaguejar; os olhos reviraram e ela caiu dura no chão da guarita, nocauteada por dez gramas de puro glamour letal.
— ‘Porscha, meu Deus! Eu pensava que você ia convencer a mulher na lábia, que estratégia de guerra foi essa?!’ — perguntei, enquanto a gente passava por cima das pernas da guarda pra entrar.
Porscha guardou o estojo na bolsa com a calma de quem acabou de retocar o batom.
— ‘Ah, amiga, aprendi esse truque quando fui detida uma vez numa festa que eu não sabia que era irregular… as Gyarus daquele setor realmente sabem se defender e eu sou uma ótima aprendiz,’ — ela respondeu, limpando um farelo de pó do ombro. — ‘Querida, em New Tibene você precisa estar preparada para tudo. É essa versatilidade que me torna tão… eu. Agora anda logo, antes que o efeito da maquiagem passe e ela acorde querendo me cobrar o refil
No fim da tarde, a Porscha quis subir para o meu apartamento. Eu não pude permitir. Dei meu melhor sorriso cravejado para ela, mas é impossível enganar aquele axioma de saias.
— ‘Amiga, você não vai acreditar, mas ontem demos uma festa Umbra-bafonérica e minha casa está uma bagunça… vamos deixar para a próxima? Estou morta de cansada…’
Ela me olhou com olhos de águia, desconfiada.
— ‘Tudo bem, Thary… vamos deixar para a próxima,’ ela disse, como quem finge que acredita. Enquanto acelerava seu jeep
Eu não podia deixá-la entrar. Tenho uma Vazia chamada Jane Doe escondida no meu quarto. Resgatei ela na divisa com a área proibida; chegar lá foi excruciante. Senti um dos meus microdermais do chackra Ajna (terceiro olho) ser arrancado pela pressão da névoa, mas a meditação me manteve firme.
Tranquei a porta e desconectei o braço que Jane estava usando. E troquei pelo que peguei
A Jane quase não tem rosto direito, poucas memórias, é um quebra-cabeça que New Tibene jogou fora. Estou tentando a ‘recompletar’, trocando minhas peças saudáveis pelas dela, testando se a minha essência pode curar o vazio. E qual o limite entre os nossos mundos.
É uma prática proibida e me dói em lugares que a Ioga não alcança. Anotei os dados no meu caderno secreto, sentindo o frio da mancha cinza subir pela minha junta. Sempre fui uma quimera orgulhosa, mas não nego que estou com medo do que estou fazendo…”